Archeira

17 Março 2009

Cinema

Já é tarde para comentar, mas eu vou comentar assim mesmo. É que apenas recentemente pude assistir ao "Benjamin Button" e ao "Quem quer ser um milionário". O primeiro é uma história à la "Forrest Gump", com nada a acrescentar. Não entendi as pessoas chorando quando terminou o filme. Já "Quem quer ser um milionário?" me tocou.
É bem verdade que ando chorando até com o Jornal Hoje, mas "Quem quer ser um milionário" é um filme que tem todos os ingredientes de um bom filme. É completo. Apresenta amor, violência, traição, relações familiares, inocência, maldade, desejo e emoção em doses avassaladoras. A história do menino que sai literalmente da merda para conquistar o seu amor é piegas, concordo, mas a pobreza é a coisa mais brega que existe e eu não vou deixar de gostar de um filme porque o seu tema é piegas.
E o que dizer do final do filme, então, que faz todos permanecerem colados na poltrona do cinema até o último minuto...sensacional!

11 Março 2009

Rotina

Ah, então faz de conta que não tem nada acontecendo.
Os dias continuam nascendo iguais, o dia a dia é sempre o mesmo e a rotina traz uma beleza que a velhice, um dia, vai quebrar.

06 Março 2009

Mico preto

De vez em quando recebo algum e-mail ou comentário de pessoas que sofrem do mesmo problema que sofri, mas que felizmente superei: a otosclerose. Por isso, volto ao assunto.
Passei anos da minha vida perdendo gradativamente a audição, sem perceber que isso acontecia, pois é uma perda lentíssima e uma característica dessa doença. Um belo dia lembro de estar no trabalho, atender um telefonema e por acaso mudar o lado do ouvido com o qual estava acostumada a atender. Para minha surpresa, a audição era muito superior no outro ouvido.
Não entendi nada, e foi aí que constatei essa perda acentuada no ouvido esquerdo e que era amplamente compensada pelo outro, que ainda estava bom. Percorri uma dezena de médicos ao longo de anos e todos se limitavam a constatar a perda sem indicar solução pro caso. Depois da gravidez, o ouvido direito, que tinha quase 100% de audição, piorou terrivelmente, o que me deixou - se não completamente - quase surda mesmo.
Um dos médicos sugeriram que eu colocasse um aparelho de audição. Cheguei a experimentar por uma semana, mas era caríssimo e requeria muitos cuidados, como não poder molhar, por exemplo. Recebi muitos incentivos pra não desistir.
As pessoas pensavam que eu era distraída, dispersa, e isso atrapalhava todas as minhas relações sociais. Era terrível participar de conversas sem realmente estar escutando nada e ficar concordando com a cabeça, como se estivesse entendendo tudo, por já não suportar mais dizer "hein?", "o que você disse?".
Assumi a surdez sempre avisando para as pessoas que eu tinha um problema, mas as pessoas não falam gritando, não adiantou. É complicado lidar com isso. Então eu lia os lábios. Quando não conseguia, imagino que devia fazer alguma expressão de desespero. Era muito desagradável ficar pedindo várias vezes pras pessoas repetirem o que acabaram de dizer.
O pediatra do meu filho me indicou um otorrino, um dos melhores do Rio de Janeiro, que atende pelo plano de saúde. O ouvido direito, que estava pior, foi operado há 3 anos e o outro exatamente um ano depois. Felizmente correu tudo bem, hoje levo uma vida normal. A cirurgia é arriscada? Sim. Pode dar tudo errado? Sim. Mas eu fiz e deu tudo certo.
Não podemos é apostar no mico preto, que equivale a 1% de casos que não dão certo na cirurgia, como bem disse o otorrino. Por isso, eu recomendo tentar, sim, a operação.
E acreditar.