Houve uma época em que eu fumava.
À noite, muitas vezes, sentia um aperto no coração, que atribuía ao cigarro. No fundo, no fundo, sabia que não era só o cigarro que esmagava o meu coração. Engravidei e, desde então, parei de fumar. Faz 4 anos. Hoje sei que não morrerei de infarto. De cirrose (ou outro mal), quem sabe.
Um infarto, por depoimentos de quem já passou por um, parece que dói, sim. Quanto a isso, não tenho a menor dúvida: posso garantir que apesar de não ter passado por um, também já senti algo que, suponho, deva lembrar esta dor. Entretanto, ainda continuo achando que quem sofre um enfarte está com uma dor "além", que massacra aquele outro coração que pulsa no nosso cérebro (é que ninguém nos avisou, lá no berçário, como era difícil isso tudo aqui).
Os enfartes recentes sofridos por duas pessoas da minha família me assustaram, não só porque durante algum tempo da minha vida eu acreditei que um dia teria um infarto, mas também porque essas coisas – por mais distantes que sejam estes meus parentes, e um deles não é - nos tocam pela nossa fragilidade. Chamou-me atenção também, e profundamente, o fato de que, na minha família, estes infartos recentes seriam mais dois casos, juntando-se ao da minha avó, a matriarca já falecida, que também passou por isso.
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A gente não sabe da vida... Olho para trás e vejo essa minha prima de coração literalmente sofrido, que é 15 anos mais velha do que eu e em cuja casa morei durante algum tempo da minha infância, fazendo pontilhados de brincadeira para me ensinar a escrever. Lá estava ela, também, levando-me ao parquinho do clube do Fluminense e ao colégio (de carro, só para atender um capricho meu). Lembro-me de muito mais coisas, mas aqui cito só as mais marcantes, como quando ela chegou da sua viagem de lua-de-mel à Índia, trazendo batas, saias e lindos tecidos coloridos para as primas, ou seja, nós - eu e minhas irmãs. Que época boa! Era a prima que trazia novidades, alegria e, por que não dizer, um pouco de auto-estima.
Além de bonita, a tenho como uma referência de estudo e equilíbrio. E olha que de perto, ninguém é normal. Casou-se com seu primeiro e único namorado, um sujeito tranqüilo, também estudioso e bem sucedido. Gosto dela como quem gosta de uma irmã, sim, mas com um quê de mãe. E a minha mãe, que apesar de já ter se desentendido com ela uma vez, a adorava e a admirava, e estaria vibrando ao saber que ela está aí, firme e forte: reabilitada.
Mas não pronta pra outra dessas.