Archeira

15 Agosto 2008

Silêncio blogueiro

Não sei quem começou primeiro. Houve um burburinho e um "falatório blogueiro". Eram muitos posts por semana, entusiasmados, contos, crônicas, amores, descobertas, estilos e pessoas. Disso tudo, além das lembranças, restaram duas ou três pessoas amigas próximas. Isso faz mais ou menos oito anos. Ainda agora, de bobeira, resolvi conferir o "silêncio dos blogs". E constatei. À exceção daqueles que possuem algum interesse na publicação do blog, ou seja, que estão ligados a algum meio de comunicação, ganharam fama ou algo assim, o resto dos blogs conhecidos esmoreceram, perderam suas forças. Morreram. Não é o meu caso, que este blog aqui já nasceu assim, meia-bomba, e a verdade é que não estou nem aí pra isso, porque eu quero mesmo é continuar a escrever, escrever, escrever e escrever, pelo simples prazer que é esta busca pelas palavrinhas. Ou palavrões. Por essa arrumação linguística.
Mas, voltemos ao assunto. Pois é. Os blogs estão desatualizados há muito tempo, alguns há um ano, dois. E eu fico me perguntando: por que insisto nessa porra? Não sei. Mas no fundo, no fundo, tenho a resposta: aqui é o único lugar onde eu posso me exercitar da melhor maneira. Resumindo: eu gosto de escrever.

Os donos da rua

Entra ano, sai ano...lá vem eles. Na verdade, entra semestre, sai semestre...lá vem eles de novo. Já comentei aqui no blog sobre "os donos da rua": são os estudantes da PUC que interditam a rua. Este post é mais um desabafo desta velha que vos escreve. Quero ressaltar que adoro o movimento dos jovens na Universidade. O problema é que, finda as aulas, a "galera" interdita a calçada próxima ao prédio onde moro e também a do caminho da escola do meu filho, em frente ao "Seu Pires", na rua Marquês de São Vicente. Além de impedirem o ir e vir nas calçadas, eles ocupam a rua mesmo, a ponto de os carros precisarem passar em fila única e de as pessoas precisarem se arriscar no asfalto. Felizmente, esse desespero só acontece nas duas primeiras semanas de aula, depois disso parece que eles engrenam nos estudos e largam a zoeira.
Por isso, a cada semestre engrosso o coro de Nelson Rodrigues: "Envelheçam depressa, deixem de ser jovens o mais rápido possível".
E olha que eu adoro uma festa...

06 Agosto 2008

Poesia em uma linha

Dentro de mim cresceu uma viga de concreto.

Enfarte

Houve uma época em que eu fumava.
À noite, muitas vezes, sentia um aperto no coração, que atribuía ao cigarro. No fundo, no fundo, sabia que não era só o cigarro que esmagava o meu coração. Engravidei e, desde então, parei de fumar. Faz 4 anos. Hoje sei que não morrerei de infarto. De cirrose (ou outro mal), quem sabe.
Um infarto, por depoimentos de quem já passou por um, parece que dói, sim. Quanto a isso, não tenho a menor dúvida: posso garantir que apesar de não ter passado por um, também já senti algo que, suponho, deva lembrar esta dor. Entretanto, ainda continuo achando que quem sofre um enfarte está com uma dor "além", que massacra aquele outro coração que pulsa no nosso cérebro (é que ninguém nos avisou, lá no berçário, como era difícil isso tudo aqui).
Os enfartes recentes sofridos por duas pessoas da minha família me assustaram, não só porque durante algum tempo da minha vida eu acreditei que um dia teria um infarto, mas também porque essas coisas – por mais distantes que sejam estes meus parentes, e um deles não é - nos tocam pela nossa fragilidade. Chamou-me atenção também, e profundamente, o fato de que, na minha família, estes infartos recentes seriam mais dois casos, juntando-se ao da minha avó, a matriarca já falecida, que também passou por isso.
***
A gente não sabe da vida... Olho para trás e vejo essa minha prima de coração literalmente sofrido, que é 15 anos mais velha do que eu e em cuja casa morei durante algum tempo da minha infância, fazendo pontilhados de brincadeira para me ensinar a escrever. Lá estava ela, também, levando-me ao parquinho do clube do Fluminense e ao colégio (de carro, só para atender um capricho meu). Lembro-me de muito mais coisas, mas aqui cito só as mais marcantes, como quando ela chegou da sua viagem de lua-de-mel à Índia, trazendo batas, saias e lindos tecidos coloridos para as primas, ou seja, nós - eu e minhas irmãs. Que época boa! Era a prima que trazia novidades, alegria e, por que não dizer, um pouco de auto-estima.
Além de bonita, a tenho como uma referência de estudo e equilíbrio. E olha que de perto, ninguém é normal. Casou-se com seu primeiro e único namorado, um sujeito tranqüilo, também estudioso e bem sucedido. Gosto dela como quem gosta de uma irmã, sim, mas com um quê de mãe. E a minha mãe, que apesar de já ter se desentendido com ela uma vez, a adorava e a admirava, e estaria vibrando ao saber que ela está aí, firme e forte: reabilitada.
Mas não pronta pra outra dessas.

03 Agosto 2008

Nós gatos já nascemos livres

PETITA
Petita foi a nossa primeira gata. Era branca e cinza, mais branca que cinza. Era uma pequeniníssima filhotinha escondida nas rodas de um carro quando nós, meninos e meninas de 10 anos de idade então a encontramos, miando fininho, escondida. Criança tem dessas coisas: sequer pensamos, simplesmente a levamos para casa e pronto. Minha mãe quase a expulsou, mas como não resistia aos filhos, lá deixou crescer a nossa Petita. Morávamos no primeiro andar de um edifício construído em cima de uma pedra em Laranjeiras. Apartameto dúplex. E Petita saía e voltava com sua tranquilidade para passear e namorar. Em uma dessas escapadas, a gata "roubou" um queijo que estava sobre a mesa da casa da vizinha. Lembro-me das reclamações da vizinha irritada, e tudo o mais, pois a responsabilidade, ou seja, os donos da gata, éramos nós. E nós gostávamos de ver a Petita passeando e namorando. Chegou a ter uns 18 filhotes, acho. Demos todos. Na última prenha, morreu, com um ataque de eclâmpsia. E nós passamos vários anos sem ter animais. Até que a Betty Blue apareceu.