Archeira

29 Setembro 2006

A literatura e o inesperado

O artista aproveita o momento.
Está ali, a postos, aguardando o esperado estado de graça que lhe abraça em dias especiais e sabe que não existe o amanhã: as coisas são. Até as rimas mal vistas, até as putas no calçadão de Copacabana, até a fétida Rua do Acre, até a praia, até as coisas belas e as coisas feias, as mulheres ricas e as mulheres pobres, os antagonismos e a vontade são.
Coisas à vontade. Ou todas as variações que o desejo despertar. Querer ser assim e pronto. Não dizer nada e saber que está se dizendo tudo (ou toda), tudo o que precisou para fortalecer-se, pois reconhece-se como esta escrita desenxabida, e é só por aqui, por estas passagens sombrias do inconsciente, que se reconhece. Pois bem. Deixa-se estar.
Busca um outro silêncio.
Quer ser a arte da verborragia, das palavras instantâneas, fastwords?, palavras abreviadas por consoantes, recortadas, resumidas. Nada. Vocabulário escasso.
Um dia, pensando em literatura, decidir ser.
Assim como é. Arte? Monossílabica ou é apenas uma metáfora?
Renovar. Literatura é sempre recomeçar a pensar: um texto nunca é o mesmo ou foi você quem mudou?

05 Setembro 2006

Obrigada

Sem jeito. É assim que eu fico quando recebo elogios. Tenho dificuldades com a minha auto-estima. Mas não posso negar que elogios me tornam mais segura, mais feliz. Recebi mais do que um elogio da Marcele, muito mais do que isso: recebi um carinho.
Obrigada, Marcele.

04 Setembro 2006

Pequenas vinganças

Quantas e quantas vezes, pego-me em algum lugar da minha infância elaborando vinganças secretas. Fazia promessas a mim mesma de vitórias avassaladoras contra todos aqueles que eu acreditava piamente, me maltratavam: colegas de classe sacanas, pai, mãe e irmãos. Todos estavam na minha lista negra. Deitava-me para dormir, ou retraía-me em algum cômodo vazio da casa, sozinha, e ficava, um tanto autista que sempre fui, "matutando" as conquistas que faria. Minha vingança era isso, então: mostrar-lhes o meu valor, porque a verdade é que nunca acreditei em mim. Até hoje. Olho-me desconfiada..."posso?". E, devagar, permito-me algumas coisas.
Ninguém foi vítima das minhas vinganças secretas. Tratei - e trato - de reeducar as minhas raivas e dissolvê-las, como simples frustrações que são. Mas naquele tempo, eu não sabia que a vida era uma infinita sucessão de frustrações, e queria vingar-me. Culpava o mundo pela crueldade das pessoas e por todos os meus sofrimentos. Para a minha mãe já disse a célebre frase "não pedi para nascer". Contra o meu pai, desejei certa vez: “vou ser melhor do que você”.
Hoje, analisando, não sei exatamente...melhor em quê?

Orkut outra vez?

Ressuscitei meu perfil no orkut...