Fim de ano
Percebo como o cotidiano despersonaliza nossas almas. Olho os carros e seus motoristas nervosos, buzinando. No banco, a senhora chora. No supermercado, um idoso me xinga: esta fila é preferencial para idosos, não está vendo? Sim, meu senhor, eu vi. O supermercado está vazio e o senhor disse bem...”preferencial”, que não significa “exclusiva”. E bláblábláblá. E acredito piamente que não sei mais escrever. Meus dedos pipocam desidrose, meu filho está engatinhando, meus amigos sumiram.... é assim, tudo calado, tudo parado e simultaneamente agitado, eu com meus problemas, eu com minhas alegrias, e o tempo me atropelando.
São sete horas da manhã e essa é a hora. É a semana da virada e que em janeiro não vira nada, porque já estou mesmo com tudo virado, com mil planos e decisões, mas preciso esperar o tempo. Que venha o tempo. Que eu vá ao tempo. E que eu, também, consiga espantar a insônia em 2006.
São sete horas da manhã e essa é a hora. É a semana da virada e que em janeiro não vira nada, porque já estou mesmo com tudo virado, com mil planos e decisões, mas preciso esperar o tempo. Que venha o tempo. Que eu vá ao tempo. E que eu, também, consiga espantar a insônia em 2006.
