Bem me quer, mal me quer
Meninas normalmente são mais bobinhas, tanto isso é verdade que na minha infância, eu mesma, menina bobinha, costumava colher florzinhas para brincar de “bem me quer, mal me quer”. A brincadeira consiste em arrancar pétala por pétala, enquanto se vai dizendo “mal-me-quer”, “bem-me-quer”, “mal-me-quer”, “bem-me-quer”. A última pétala a ser arrancada indica o bem ou o mal querer. Por que me lembrei disso agora? Meu amor anda assim mesmo: bem quer, mal quer.
Bem que eu gostaria de apenas bem querer, mas já sei a esta altura da escrita que não há amor que resista a não ser querido, ao menos um pouquinho, todos os dias. E que no dia seguinte volte a ser querido como foi no início. Estou amando e peço perdão por destoar de tudo. Agora, por exemplo, já não sinto vontade de fazer parágrafos, de escrever, de ir em frente. Preciso estar de braços dados com o meu amor e só assim consigo seguir. Mas hoje de manhã já o odiei e basta findar a tarde para que meus olhos romanceiem aquele beijo primeiro, o enlace das mãos que trouxeram os olhos castanhos para dentro dos meus olhos negros e tudo o mais que eu não sei explicar, mas que a lua, eu sei, saberá.
A falta de vontade de ir em frente tem a ver com o instante e a felicidade: que o mundo pare agora. Mas o mundo não parará, por alegria ou por tristeza, nem minha, nem de ninguém. Então, prossigo me inventando para fingir que cada minuto é aquele anterior já vivido.
Mágica.
As sensações retornam, retornam, retornam e eu vejo a alegria fugaz vivida por num amor inicial em brasa, o homem me olha como se fosse pela primeira vez e eu o olho da mesma forma e me invade o gozo fantasmagórico de antes, de antes, de antes, até que consigo sentir de novo o amor que havia de mim fugido e eu posso respirar fundo, bem me quer mal me quer e dizer – eu te quero.
Bem que eu gostaria de apenas bem querer, mas já sei a esta altura da escrita que não há amor que resista a não ser querido, ao menos um pouquinho, todos os dias. E que no dia seguinte volte a ser querido como foi no início. Estou amando e peço perdão por destoar de tudo. Agora, por exemplo, já não sinto vontade de fazer parágrafos, de escrever, de ir em frente. Preciso estar de braços dados com o meu amor e só assim consigo seguir. Mas hoje de manhã já o odiei e basta findar a tarde para que meus olhos romanceiem aquele beijo primeiro, o enlace das mãos que trouxeram os olhos castanhos para dentro dos meus olhos negros e tudo o mais que eu não sei explicar, mas que a lua, eu sei, saberá.
A falta de vontade de ir em frente tem a ver com o instante e a felicidade: que o mundo pare agora. Mas o mundo não parará, por alegria ou por tristeza, nem minha, nem de ninguém. Então, prossigo me inventando para fingir que cada minuto é aquele anterior já vivido.
Mágica.
As sensações retornam, retornam, retornam e eu vejo a alegria fugaz vivida por num amor inicial em brasa, o homem me olha como se fosse pela primeira vez e eu o olho da mesma forma e me invade o gozo fantasmagórico de antes, de antes, de antes, até que consigo sentir de novo o amor que havia de mim fugido e eu posso respirar fundo, bem me quer mal me quer e dizer – eu te quero.
