Archeira

29 Abril 2005


o amor não existe? Posted by Hello

O amor não existe

Há muito tempo tentava avisá-lo que o amor não existe. Em todas as minhas tentativas, falhei. Na primeira vez culpei a chuva. Era uma sexta-feira, como hoje, e apesar de não chover tanto quanto agora, estávamos no inverno. Ele preparou um macarrão com molho de gorgonzola e pôs as taças na mesa: vinho chileno. Jantamos e fomos dormir abraçados, e como o clima não estava propenso a intromissões negativas naquela noite, o amor continuou existindo.
Pelo menos até a manhã seguinte.

28 Abril 2005


samba, malandragem e cachaça Posted by Hello

Louvações à cachaça

Recebi por e-mail estas ótimas louvações à cachaça:

"Suco de cana caiana passado nos alambiques, pode ser que prejudique, mas bebo toda sumana" (Ascenso Ferreira)

"Abre-te boca, prepara-te dente, te cuida lombriga que lá vai a aguardente". (Ata)

"Se o Papa de Roma soubesse o gosto que a cana tem, deixava Roma sem Papa e bebia a cana também". (Geraldo Gouveia)

"Pelos poderes de prata, pelas ordens de uma rama. Macaco velho não se engana. Te afasta alma que lá vai cana." (Henrique)

"Quando tomamos cachaça, ficamos bêbados. Quando estamos bêbados, dormimos. Quando estamos dormindo, não cometemos pecados. Quando não cometemos pecados, vamos para o céu. Então, vamos tomar cachaça para ir para o céu!" (Gustavo Maranhão)

"Meu Pai bebia aguardente, minha Mãe bebia vinho, os dois morreram na merda e eu sigo no mesmo caminho". (Eduardo Araújo Correia)

20 Abril 2005

Conto - "Deslumbramento"

Comprou um sofá carésimo, de mil e oitocentos reais, porque viu num encarte de uma revista de domingo. Reformou a sala, a cozinha e o banheiro com uma equipe eficiente de arquitetos bonitões. Gastou os tubos. Mas o seu maior deslumbramento mesmo era acreditar que tinha algo a dizer. Nas reuniões sociais e familiares, gabava-se de seu escasso saber, com opiniões recortadas sobre política, economia, religião e até futebol, que detestava. Procurava ser uma mulher ativa, mas na intimidade, não tinha nada, era oca e lenta, muito lenta.
Casou-se duas vezes. A primeira, com um médico respeitado e rico, mas muito autoritário, com quem teve um filho. A segunda, com um jovem artista plástico, ainda desconhecido, pobre, nem bonito nem feio, bem informado e tranqüilo, de quem, também, engravidou. Nunca trabalhou. A pensão do primeiro marido a sustentava e sabia que a herança da família a aguardava.
Em todas as ocasiões apresentava aos amigos e familiares seus novos projetos. E sempre tinha um novo para apresentar. Era projeto de filmar, de estudar, de viajar, de abrir um restaurante, escrever, fazer mestrado, abrir uma empresa ou uma butique. Tinha mil planos, nenhum dinheiro no bolso, e vivia dizendo “estou exausta” e “não tenho tempo para nada”. No fundo, no fundo, acreditava em todas as investidas, era quase um hobby.
O segundo marido irritava-se com as vulnerabilidades da mulher. Passou anos sem pintar, sem encontrar inspiração para voltar a colorir suas telas, sem conseguir estudar. Foi sugado pela vida dela e como se estivesse sendo sugado por um ralo foi escoando, e absorvido, desceu num redemoinho ao caminho do esgoto mais pútrido.
Então, lá surgiu a idéia de pintar um retrato da mulher em meio a jóias e bostas, jóias e bostas, jóias e bostas, jóias e bostas, jóias e bostas. Vendeu como água e assim ele ganhou milhões de reais e de jóias para sustentar a bosta de sua mulher.

Cotidiano

"Todo dia ela faz tudo sempre igual..." minha vida segue o cotidiano das mulheres que acabam de ser mães. Ou seja, amamentar, dormir, amamentar, dormir. Mentira. Não sou do tipo que consegue passar o dia dormindo, daí explicam-se olheiras, cansaço, magreza, palidez, mas também, a alegria. E a que horas eu curtiria o meu prazer, se passasse o dia descansando?

13 Abril 2005

o pôster

Sinto saudades do tempo em que as paredes da nossa casa eram verdes. Da minha infância quieta, quando dividia o quarto com a minha irmã mais velha. Na mesinha de cabeceira, a vitrola tocava repetidas vezes a música "Pégaso", de um LP do Moraes Moreira. Adolescente, minha irmã pendurou um pôster gigantesco do James Dean. Lembro-me do fascínio provocado pelo pôster e do meu desejo não realizado de assistir todos os filmes com o ator. Não assisti nenhum, ou um, não estou certa. Quando minha mãe operou um câncer nos rins e nós fomos entregues cada um a uma tia, então a Adriana rasgou o pôster e acabou com a minha ilusão de felicidade.

04 Abril 2005


Saudações tricolores! Posted by Hello