Archeira

20 Dezembro 2004

Lua Crescente

Preciso escrever, preciso escrever, preciso escrever. Estou com falta de ar, falta de mar, falta de rima. Preciso escrever, preciso escrever, preciso escrever.

Escrever preciso.

Dois parágrafos para baixo de mim mesma.
Há um filho no meu ventre e dele extraio palavras já que de mim ele extrai sua criação e seu alimento. Estou me nutrindo de amor e de palavras soltas, de incertezas e de inovações, estou engatinhando por significados, por vida, por batimentos cardíacos.
Há.
Ah! Lua crescente.

Uma música e um poema

O filho que eu quero ter - Toquinho e Vinicius
É comum a gente sonhar
eu sei quando vem o entardecer
pois eu também dei de sonhar
um sonho lindo de morrer
vejo um berço e nele eu me debruçar
com o pranto a me correr
e assim chorando acalentar
o filho que eu quero ter
dorme, meu pequenininho
dorme que a noite já vem
teu pai está muito sozinho
de tanto amor que ele tem
de repente o vejo se transformar
num menino igual a mim
que vem correndo me beijar
quando eu chegar lá de onde vim
um menino sempre a me perguntar
um porquê que não tem fim
um filho a quem só queira bem
e a quem só diga que sim
dorme, menino levado
dorme que a vida já vem
teu pai está muito cansado
de tanta dor que ele tem
quando a vida enfim me quiser levar
pelo tanto que me deu
sentir-lhe a barba me roçar
no derradeiro beijo seu
e ao sentir também sua mão vedar
meu olhar dos olhos seus
ouvir-lhe a voz a me embalar
num acalanto de adeus
dorme, meu pai, sem cuidado
dorme que ao entardecer
teu filho sonha acordado
com o filho que ele quer ter"

A continuação da música é este poema, uma das inspirações do Marco para o nome do nosso filho.

"Pedro, meu filho" - Vinicius de Moraes
Por isso, que eu chorei tantas
lágrimas para que não precisasse
chorar, sem saber que criava um mar
de pranto em cujos vértices
te haverias também de perder.
E amordacei minha boca para que
não gritasses e ceguei meus
olhos para que não visses; e quanto
mais amordaçado, mais
gritavas; e quanto mais cego, mais vias.
Porque a poesia foi para mim uma
mulher cruel em cujos braços
me abandonei sem remissão, sem
sequer pedir perdão a todas as
mulheres que por ela abandonei.
E assim como sei que toda a minha
vida foi uma luta para que
ninguém tivesse mais que lutar: assim é o canto que te quero cantar, Pedro, Meu Filho...


15 Dezembro 2004

Paralelos

Será hoje o lançamento da revista-livro do site Paralelos, na Livraria Dantes. Bom, os meu três leitores, André Machado, Marcele, e Marco, meu marido, já sabem disso, mas eu quero comentar assim mesmo. É que não poderei ir. Gostaria muito de estar lá. Quero ler todos os contos desses amigos e talentos que conheci pela internet, como o Gustavo, a Crib e o Augusto. Eu fazia parte dessa turma, escrevendo, escrevendo, escrevendo, e colocando para fora meus fantasmas, minhas fantasias, tudo o que nunca consegui mesmo domar. Tornando-me a escritora que sonhei em ser mas que, de fato, não sou.
Talvez, se eu realmente quisesse, estaria nesse livro. Para tanto, não poderia ter me afastado do movimento, como fiz. E, estranha como sou, ter voltado para as minhas gavetas, pra essa minha redoma. Sempre com a certeza de que não, não é para mim. Por isso, queria ir, abraçar cada um desses que conheço, dar-lhes parabéns. E, principalmente, comprar o livro. De repente, ainda há uma chance de ir. Esperar que o Marco chegue cedo.