Archeira

03 Outubro 2009

Os malvados

Esse cara é genial, sou muito fã.

20 Setembro 2009

Aorta

Peço silêncio ao meu coração, que ronrona como um gato manhoso pedindo colo. Escuto a aorta dando seu recado e o som aumenta e aumenta. O sangue já sai da artéria pedindo silêncio, correndo para os mistérios do cérebro.
Sentimento livre. Não quero pensar. A guerreira descansa.
Não há tempo para acreditar na vida ou se libertar, é uma matança por dia e são apenas as pequenas coisas que me fazem sorrir.
Pretérito perfeito… tão presente enquanto escrevo.
Liberta.
Da ponta dos meu dedos liberto todos os bichos: ursos, cobras, lagartos, gatos. Não invadem espaço à toa. À medida que saem, o silêncio aumenta.
E a aorta então se aquieta.

08 Setembro 2009

Clara e Bethânia

Desde criança admiro Maria Bethânia e suas interpretações espetaculares. Além dela, só Clara Nunes me enfeitiçava, com suas roupas brancas e pés descalços, como se sua voz não precisasse de um corpo. E não precisava.

Uma pequena homenagem...



06 Setembro 2009

Me basta así

Essa poesia é uma pérola que não tenho como não postar...

ME BASTA ASÍ (Angel Gonzalez)
Si yo fuera Dios
y tuviese el secreto,
haría
un ser exacto a ti;
lo probaría
(a la manera de los panaderos
cuando prueban el pan, es decir:
con la boca),
y si ese sabor fuese
igual al tuyo, o sea
tu mismo olor, y tu manera
de sonreír,
y de guardar silencio,
y de estrechar mi mano estrictamente,
y de besarnos sin hacernos daño
-de esto sí estoy seguro: pongo
tanta atención cuando te beso;
entonces,
si yo fuese Dios,
podría repetirte y repetirte,
siempre la misma y siempre diferente,
sin cansarme jamás del juego idéntico,
sin desdeñar tampoco la que fuiste
por la que ibas a ser dentro de nada;
ya no sé si me explico, pero quiero
aclarar que si yo fuese
Dios, haría
lo posible por ser Ángel González
para quererte tal como te quiero,
para aguardar con calma
a que te crees tú misma cada día,
a que sorprendas todas las mañanas
la luz recién nacida con tu propia
luz, y corras
la cortina impalpable que separa
el sueño de la vida,
resucitándome con tu palabra,
Lázaro alegre,
yo,
mojado todavía
de sombras y pereza,
sorprendido y absorto
en la contemplación de todo aquello
que, en unión de mí mismo,
recuperas y salvas, mueves, dejas
abandonado cuando -luego- callas...
(Escucho tu silencio.
Oigo
constelaciones: existes.
Creo en ti.
Eres.
Me basta).

29 Agosto 2009

Inconsciente

Forço a espontaneidade das palavras. E elas saem, uma a uma, querendo vaga no meu texto: pão, vinho, árvore, amor, planeta... Mas, como uma inimiga atroz, escolho dar voz à delicadeza das miinhas imperfeições. E decido, criteriosa, o não sentido do meu texto.

27 Julho 2009

Cadê?

Quando ela me perguntou assim, de supetão, “cadê?”, procurando algum texto meu indiscutível, inefável, maravilhoso, reconhecidamente bom, gelei.
- Não: você está enganada. Eu nunca “vomitei” nada na tela branca do meu computador. Há anos escrevo sempre o mesmo texto. E, de repente, você me pergunta pelo meu “vômito”? Como se um bom texto pudesse ser vomitado. Ele pode ser trabalhado. Por mais que a gente cuspa, vomite ou escarre palavras do nosso inconsciente, há que se esculpir as palavras.
Dito isto, afastei-me dela. E minhas palavras tomaram o rumo que bem quiseram. Porque numa ficção, tal como na vida, inventamos os personagens.

23 Julho 2009

A morte do pássaro

De repente, estou sem palavras. A única que me ocorre é “pássaro”. Estar sem palavras é sucumbir ao tédio. É contemplação, despeito, inveja, frustração. Eu estou sem palavras. Como, se as analiso com pulso firme? Minhas "filhas" soltas que me traem, tornado-me uma tola. Por vezes riem de mim. Meu Deus, por quê?
Quando me dou conta, a palavra já está solta, como um pássaro cego, vagando pela sala sem direção, vidros da janela fechados, desta vez fechados, e o pássaro solto debatendo-se contra o vidro, querendo sair, voar, mas os vidros transparentes o impedindo. Independência ou indecência?
Morte.
O pássaro morto no chão da sala. Com as palavras abertas.