Archeira

06 Fevereiro 2010

Curtinhas

Vida

Inspiro e expiro

Inexplicável suspiro

Piro


Haiti

Ai de ti

Haiti

Por ti senti


Paixãozinha

Penso nele

Sempre propenso

A ser apenso


Literatura

Sol na cabeceira

Espreguiça meus livros

E afugenta abismos


Tostines

Solidão causa inexpressividade

Ou inexpressividade

Causa solidão?


Análise

Para sólidas solidões

Basta com o sol lidar

(consolidar-se?)


Pagã

Para um Haicai

Tudo é pauta

Mas só Deus é poder


Inspiração

Clarice Lispector

Musa obtusa

É mais amor


Química

Nele amo

O que em mim é química

Reações


Ócio

Dois pinguins na lata

Alguns bêbados na frente

Inércia criativa


Pensamento da pintora

Tristão e Isolda

Fogo e paixão

Vermelho impossível


Chocolate

Chocolate

Triptofaneia

Veia que late


Mãe

Escuto o filho

Mil ouvidos

Uma alma inteira


Inconsciente

Há tesão na busca

Saber o que não sei que sei

Mas sou.

19 Janeiro 2010

Tombo

Penso que jamais escreverei um romance. Requer elaboração e eu sou assim: um tombo. Caio no meio das palavras de repente, quebro todos os dentes da frente e me levanto sem jeito, espanando os joelhos e rindo sem graça. E quando penso que os pés estão firmes ou ninguém viu a queda, passeio lentamente e descubro que para além da dor perdi aquele nada que me trouxe até aqui (só para lembrar do Manoel de Barros, que hoje veio à tona).

03 Outubro 2009

Os malvados

Esse cara é genial, sou muito fã.

28 Setembro 2009

Madrugada

Tenho mil poesias entrelaçadas. Mas não, não quero um poema. Não há métrica, rima, nada. Apenas possibilidades de leitura e de ser. Um pouco de ansiedade. Água. Escrever o que me vêm à mente. Água outra vez. Preciso da fluidez de uma cachoeira, rio, mar. Elementar embate comigo mesma: esse fluido chama-se sangue e há uma frente fria desorganizando tudo no meu peito a me dizer que o vento e a natureza nos desprezam.

20 Setembro 2009

Aorta

Peço silêncio ao meu coração, que ronrona como um gato manhoso pedindo colo. Escuto a aorta dando seu recado e o som aumenta e aumenta. O sangue já sai da artéria pedindo silêncio, correndo para os mistérios do cérebro.
Sentimento livre. Não quero pensar. A guerreira descansa.
Não há tempo para acreditar na vida ou se libertar, é uma matança por dia e são apenas as pequenas coisas que me fazem sorrir.
Pretérito perfeito… tão presente enquanto escrevo.
Liberta.
Da ponta dos meu dedos liberto todos os bichos: ursos, cobras, lagartos, gatos. Não invadem espaço à toa. À medida que saem, o silêncio aumenta.
E a aorta então se aquieta.

08 Setembro 2009

Clara e Bethânia

Desde criança admiro Maria Bethânia e suas interpretações espetaculares. Além dela, só Clara Nunes me enfeitiçava, com suas roupas brancas e pés descalços, como se sua voz não precisasse de um corpo. E não precisava.

Uma pequena homenagem...



06 Setembro 2009

Me basta así

Essa poesia é uma pérola que não tenho como não postar...

ME BASTA ASÍ (Angel Gonzalez)
Si yo fuera Dios
y tuviese el secreto,
haría
un ser exacto a ti;
lo probaría
(a la manera de los panaderos
cuando prueban el pan, es decir:
con la boca),
y si ese sabor fuese
igual al tuyo, o sea
tu mismo olor, y tu manera
de sonreír,
y de guardar silencio,
y de estrechar mi mano estrictamente,
y de besarnos sin hacernos daño
-de esto sí estoy seguro: pongo
tanta atención cuando te beso;
entonces,
si yo fuese Dios,
podría repetirte y repetirte,
siempre la misma y siempre diferente,
sin cansarme jamás del juego idéntico,
sin desdeñar tampoco la que fuiste
por la que ibas a ser dentro de nada;
ya no sé si me explico, pero quiero
aclarar que si yo fuese
Dios, haría
lo posible por ser Ángel González
para quererte tal como te quiero,
para aguardar con calma
a que te crees tú misma cada día,
a que sorprendas todas las mañanas
la luz recién nacida con tu propia
luz, y corras
la cortina impalpable que separa
el sueño de la vida,
resucitándome con tu palabra,
Lázaro alegre,
yo,
mojado todavía
de sombras y pereza,
sorprendido y absorto
en la contemplación de todo aquello
que, en unión de mí mismo,
recuperas y salvas, mueves, dejas
abandonado cuando -luego- callas...
(Escucho tu silencio.
Oigo
constelaciones: existes.
Creo en ti.
Eres.
Me basta).